“Cheguei a Portugal há 7 anos atrás. No Brasil, já frequentava a Igreja mas, quando cheguei a Portugal, afastei-me. Lá, já tinha conseguido conquistar algumas coisas, mas, quando vim para Portugal, foi só lutas e tristezas.
A minha vinda para cá já foi uma conquista, pois o meu marido estava cá, porém trabalhava sem receber e nós estávamos no Brasil, a passar por privações. Aqui, ia esporadicamente à Igreja, mas sem que fosse um compromisso sério, até que chegou ao ponto de não termos nada em casa para comer e tínhamos um filho de dois anos.
Eu trabalhei em restaurantes onde só recebia o salário mínimo, mas apenas isso para nos sustentar e a uma criança não era suficiente! Morávamos num quarto e chegámos a dividir um apartamento com 10 pessoas. O pior momento da minha vida foi quando me dei conta que, em casa, nem sequer tinha uma bolacha Maria para dar ao meu filho. Tinha 50 euros apenas para fazer as compras do mês.
Entretanto, o meu marido arranjou um emprego no Algarve, onde já recebia, mas, por outro lado, tinha problemas com as pessoas com quem trabalhava e foi nessa altura que comecei a voltar à Igreja.
Era a altura da Fogueira Santa e decidi participar. O meu marido regressou, eu mudei para um trabalho no qual ninguém acreditava, mas, usando a fé, assumi o maior cargo daquela empresa! Dali fui para um cargo melhor, numa outra empresa, até que hoje tenho a minha própria empresa e a minha casa, aquela que eu mesma escolhi!”
Clemilde




