
Ser feliz… a trabalhar
por: Nilza Vaz
24-01-10
Em média, passamos dois terços das nossas vidas no local de trabalho, motivo mais do que suficiente para tentarmos ser um pouco felizes naquilo que fazemos para o nosso sustento.
Para a grande maioria, trabalhar é sinónimo de obrigação e, por isso, desde logo associa-se uma atividade rotineira, irritante ou entediante, apenas suportável pela necessidade de se receber um salário. E é para essa mesma maioria que o trabalho é a maior fonte de infelicidade da sua vida. “É verdade. Cerca de 40 por cento das depressões estão relacionadas com problemas de trabalho”, confirma a psicóloga espanhola María Reyes, que lançou, no ano passado, o livro Trabalhar Sem Sofrer. Na sua obra, a psicóloga admite que muitos dos casos que lhe vão parar às mãos – desde problemas conjugais até doenças mentais – “têm componentes ligadas a dificuldades com o trabalho”.
Infelicidade = doenças
Ao longo da vida, “é normal encontrar maus chefes, colegas invejosos e outros problemas”, diz María Reyes. E, tendo em consideração que um trabalhador médio passa dois terços da sua vida no seu local de trabalho, esses problemas tendem a afetar mais do que à primeira vista poder ia parecer razoável. Dores lombares devido a más posturas, dores de cabeça e visão deficiente por excesso de tempo à frente do computador, complicações de foro respiratório causados pelo ar condicionado e o stress são algumas das mais frequentes doenças registadas pelos médicos, que atendem trabalhadores de todas as idades e que reconhecem que as doenças ligadas ao trabalho são as queixas mais comuns nos seus consultórios.
Armas a usar
Otimismo, bom humor, auto-estima e inteligência emocional são as armas que María Jesús Álava Reyes aconselha a utilizar para vencer a batalha contra os maus chefes, colegas invejosos e adversidades no emprego. “Temos de trabalhar com inteligência emocional e deixar de lado a ideia de que se as condições laborais são difíceis, não podemos estar bem”, salienta a psicóloga. Na sua visão dos problemas e por mais adversas que as condições possam ser, o trabalhador pode sempre sentir-se bem no seu local de trabalho.
Superar a pressão e a competição
Para María Reyes, hoje trabalha-se mais horas, com maior intensidade e mais pressão. Um trabalhador tem, muitas vezes, de lidar com a falta de reconhecimento por parte de chefias e colegas, acrescida de dificuldades em conciliar a família com a profissão. Tudo isto se passa “num meio muito competitivo, onde há quem queira subir a todo o custo e onde existe inveja”, salienta.
Na luta contra invejosos e manipuladores, a psicóloga aconselha a técnica da assertividade, que consiste em dizer as coisas claramente, no momento adequado e da forma mais oportuna para conseguir os fins em vista. É preciso saber dizer não sem ter de se justificar ou sentir-se mal por isso.
A FELICIDADE É “PRODUTIVA”!
Já se sabia que um trabalhador feliz trabalha de forma mais eficiente. Agora, um estudo da Regus revela que o stress tem aumentado entre os trabalhadores espanhóis a um ritmo próximo do resto do Mundo, durante esta ainda decorrente crise financeira.
O trabalho com menos pressão e com menos incertezas quanto ao futuro profissional produz melhores resultados. Por outro lado, quem trabalhe num ambiente hostil, com uma exigência obsessiva com a rentabilidade não se consegue concentrar tão bem no trabalho.
A China é o país com maior nível de stress, afetando 86% dos inquiridos no estudo. Do lado oposto estão a Holanda e a Alemanha, com a menor percentagem de tensão no local de trabalho.
Fonte: folhadeportugal.com







