Milhares à procura da justiça social
por: Nilza Vaz
12-05-10
No dia em que a crise mundial estiver oficialmente ultrapassada, Portugal não estará mais perto de sair dela. O País está vulnerável e um dos sintomas mais visíveis deste facto é o aperto cada vez maior por que têm passado as famílias portuguesas, por isso, muitos têm procurado um apoio alternativo.
Para alterar o rumo do País, é preciso modificar radicalmente o modelo de funcionamento… a opinião é de grande parte dos economistas portugueses, que descrevem um país com problemas estruturais e que se aproxima, cada vez mais, da situação grega. Têm sido estes os gritos de alerta e as opiniões vaticinadas tendo em conta o atual momento que se vive em Portugal. Para muitos, o País tem vivido acima das possibilidades, ostentado por um endividamento excessivo e ampliado pelas desigualdades que perpetuam os desequilíbrios que existem há décadas.
A mesma opinião foi partilhada por Cavaco Silva no seu último discurso de 25 de abril. As intervenções do Presidente da República marcaram a atualidade política nos últimos anos.
Um ano depois, as dificuldades permanecem
Em 2009, ano de eleições europeias, legislativas e autárquicas, o chefe de Estado centrou a sua intervenção em dois temas: a crise e a participação cívica.
Nessa ocasião, Cavaco Silva defendeu no Parlamento que a crise que Portugal atravessava então não podia ser “iludida”, alertando para a incerteza de que esse fosse “um momento meramente transitório” de recessão económica.
“A crise que vivemos não pode ser iludida e, num dia como o de hoje, haverá com certeza muitos portugueses que se interrogam sobre se foi este o país com que sonhámos em abril de 1974”, afirmou. Salientando os “tempos difíceis, muito difíceis”, o chefe de Estado lembrou as centenas de trabalhadores lançados no desemprego, com um País dominado pelas notícias de encerramento de fábricas e de empresas “apesar dos esforços para combater a crise”.
Mais à procura de trabalho
No mês passado, as listas dos centros de emprego foram engrossadas por mais 64 mil pessoas, que se inscreveram como desempregadas, a larga maioria por terem visto terminar um trabalho precário. No total, somam-se já os 572 mil desempregados registados pelo Instituto do Emprego e da Formação Profissional. Destes, quatro em cada dez viviam na região Norte que, apesar de tudo, teve uma evolução menos negativa do que outras zonas do País, como o Algarve e a Madeira.
Sintomático é o facto de estar a disparar o número de desempregados há mais de um ano e a incapacidade crescente das famílias em dar resposta ao sobre endividamento, que tem vindo a aumentar. Para todos, urge encontrar uma solução, a qual se tem apresentado, na opinião de muitos, da forma menos convencional.
7 MIL DESEMPREGADOS/MÊS ATÉ AO FINAL DO ANO
A lentidão com que Portugal sairá da crise terá fortes consequências no Mercado de trabalho e, a concretizar-se a previsão do Fundo Monetário Internacional, o País chegará ao final deste ano com perto de 614 mil desempregados. Durante este ano cairão no desemprego mais 86 mil pessoas.
RISCO DA BANCA NACIONAL JÁ É DOS MAIORES DA EUROPA
A dívida portuguesa está em maus lençóis. A pressão sobre os juros já chegou às instituições financeiras. O risco de incumprimento da banca duplicou e alcançou o valor mais alto de que há memória. Se as condições desfavoráveis para o financiamento se mantiverem são as famílias e as empresas que vão ser afetadas no recurso ao crédito.







