Em 2001, os especialistas já detetavam que o nosso país estava em crise e os governantes pediam contenção… Os portugueses reclamam, mas continuam a gastar para além do que podem, ou talvez não…
Portugal está mergulhado numa profunda crise, segundo os especialistas, é o que se ouve e lê nos órgãos de comunicação social. Mas Portugal está em crise há nove a nos. Desde 2001, Portugal tem crescido pouco mais de 1% ao ano.
Este crescimento é muito inferior ao crescimento dos países que rivalizam com Portugal na União Europeia. No mesmo período, a Grécia e a República Checa cresceram cerca de 4% ao ano, a Eslováquia 6% e os países bálticos mais de 8%.
No ranking do PIB per capita, Portugal foi ultrapassado pela Eslováquia em 2003 e pela República Checa em 2005. No ranking de competitividade do Fórum Económico Mundial 2009, Portugal manteve a 43ª posição numa lista de 133 países.
No ranking da liberdade económica da Heritage Foundation, Portugal está em 53º lugar numa lista de 183 países, logo atrás do Uganda.
De acordo com o estudo do Fórum Económico Mundial sobre a Competitividade, Portugal tem um mercado laboral pouco flexível, uma administração pública burocrática e ineficiente, um regime fiscal demasiado complexo e maus indicadores macroeconómicos.
De acordo com o estudo da Heritage Foundation, os principais obstáculos à liberdade económica em Portugal são o peso do Estado na economia e as leis laborais.
Contudo, estas debilidades da economia portuguesa não foram criadas pela crise internacional, pois resultam de opções políticas feitas em Portugal, pelos portugueses.
90% dos portugueses insatisfeitos
Os efeitos da crise económica na opinião pública são evidentes: mais de 90% dos portugueses consideram a situação económica do País “má”. O Eurobarómetro, realizado entre maio e junho do ano passado, incidiu também sobre os 27 países da União Europeia e o pessimismo é generalizado.
O inquérito mostrou que a larga maioria dos europeus considerava a situação má ou muito má no seu país (quase 78%), uma perceção que piorou desde 2007, quando a percentagem era de 48%.
Em detalhe, o Eurobarómetro frisa que os portugueses reprovam a situação de empregabilidade do País (93%), tal como os benefícios recebidos pelos desempregados (72 por cento, enquanto a média europeia se fixa nos 45 por cento).
A insatisfação dos portugueses quanto ao preço da energia e das casas e quanto à gestão da administração pública apresenta um resultado negativo de -3, numa tabela em que os +10 correspondem a uma máxima satisfação, e contra a média europeia, também negativa, de -1,2.
Os portugueses também contrariam a média europeia no que diz respeito ao aprovisionamento de pensões. 82 por cento atribuem-lhe uma média de -4.3 pontos, contra a média de -1 dos 27.
As desigualdades sociais e a pobreza constituem grandes preocupações para a população portuguesa, que avalia negativamente os últimos cinco anos: 42% pensa que a situação piorou. De facto, apenas 9% dos portugueses considera que o custo de vida no País é positivo, contra uma média europeia de 28 por cento.
Analisando o outro lado da crise, aquelas notícias que de vez em quando surgem, será que esses 9% de portugueses não têm razão? Ou de facto Portugal está mergulhado numa profunda crise?
CONTRADIÇÕES NO PADRÃO DE VIDA
Carros de luxo resistem à crise
O mercado automóvel português fechou o ano com o pior resultado. Em 2009, venderam-se menos 24,6% do que no ano anterior.
No caso das marcas de topo, os resultados dividem-se. A Maserati, a Aston Martin e a Jaguar baixaram as vendas. Já a Ferrari, a Porsche e a Bentley conseguiram aumentá-las.
Casas de alto luxo tem procura em Portugal
Por ano, são vendidas em Portugal entre 15 a 20 casas de luxo com valores acima dos 10 milhões de euros, ou mesmo mais. Os compradores são, essencialmente, estrangeiros oriundos de Angola e de vários países árabes. As localizações mais procuradas são Lisboa, Cascais, Estoril e Algarve.
Mais de 300 milhões de euros gastos
De acordo com os dados da SIBS, entidade que gere a rede multibanco, entre 1 e 26 de dezembro de 2009, registaram-se compras no valor de 2.577 milhões de euros, tendo os levantamentos ascendido a 2.131 milhões de euros.
Ao todo, entre dinheiro vivo (que se pressupõe que tenha sido levantado para adquirir um produto ou serviço) e compras via terminais, circularam 4.708 milhões de euros. Durante o mesmo período de 2008 esse foi de 4.408 milhões de euros.
No período em análise houve 31 milhões de levantamentos (contra trinta milhões em 2008) e 58 milhões de compras através de terminais de pagamento (51 milhões no ano passado). É nas compras que se nota a maior diferença, já que, face a dezembro de 2008, os portugueses gastaram mais 248 milhões de euros (uma subida de 10,6 por cento).
Só no dia 23 de Dezembro, no conjunto da rede multibanco, foram movimentados mais de 380 milhões de euros, ou seja, cerca de seis por cento do total.
Fonte: folhadeportugal.com






