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Erros clínicos poderão afetar 50 mil

2663Erros clínicos poderão afetar 50 mil

por: Nilza Vaz
30-12-09

Compressas que ficam no organismo dos doentes ou enganos frequentes na hora de administrar o antibiótico que previne a infeção… são os erros mais frequentemente reportados.

Pouco mais de metade dos doentes recebe adequadamente o antibiótico durante a cirurgia e cerca de 15%, em média, acaba a operação com uma compressa no seu organismo. São erros reportados num estudo do jornal médico New England Journal of Medicine, em Janeiro deste ano, e que somados, ditam a existência de 10% a 11% dos doentes operados com complicações. Isto significa que, só no ano passado nas 455 mil cirurgias feitas, cerca de 50 mil portugueses tiveram algum problema. José Fragata, diretor do serviço de cirurgia cardiotorácica do Hospital de Santa Marta, referiu que não há dados oficiais sobre os problemas pós-operatórios, mas diz que o número não está longe da verdade e configura o panorama mundial. “E 5% dos doentes registam complicações graves ou morrem”, diz o médico. Ou seja, daquelas 50 mil, cerca de 2.500 (5%) podem ser fatais.

Erros evitáveis?

No estudo publicado pelo New England, os médicos analisaram doentes não sujeitos à checklist (programa de confirmação de procedimentos durante a cirurgia). E perceberam que em cada cem doentes, onze tinham problemas na cirurgia. Já no grupo de doentes em que os médicos usaram este sistema, a taxa de complicações caiu para 7%. Por estas contas, com a ativação do sistema nos hospitais nacionais, seriam menos 18 mil pessoas lesadas em Portugal.

A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) é uma das entidades que tem desenvolvido maiores esforços na fiscalização destes problemas, que muitas vezes ficam votados ao esquecimento porque os doentes não apresentam queixa. O último relatório da IGAS refere que foram pagos a utentes mais 29 milhões de euros de indemnização por erros. Mais grave é que mais de 50% dos estabelecimentos não tinha protocolos escritos de prevenção de erros médicos.

Mas um mau resultado também não prova que tenha havido mau diagnóstico ou mau tratamento. Para um profissional ser condenado, não basta que o doente prove ter sofrido danos: tem de estabelecer uma relação entre o ato praticado e os problemas sofridos. Desta feita, os portugueses deixaram de encarar o médico enquanto ser infalível e o acidente como mera fatalidade. Quando algo corre mal, todos querem saber se foram seguidas as regras e os profissionais de saúde agiram de forma diligente.

Fonte: folhadeportugal.com

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